agência simples!

Pandemia, esporte e saúde mental: Olimpíadas de Tóquio

Como a decisão de Simone Biles de não disputar duas finais Olímpicas trouxe à tona um problema cada vez mais recorrente no mundo do esporte.

publicado em
A atleta Simone Biles
Foto: Insider Voice/Sky Sports

Pandemia, lockdown, distanciamento social, treinos prejudicados, incerteza sobre a realização das competições, falta de público. A edição de 2020 dos Jogos Olímpicos foi marcada pelo debate sobre saúde mental, devido a este contexto comum em todo o mundo. Atletas de vários países comentaram sobre as dificuldades de treinar em condições tão inéditas, mas quem escancarou esse tema na competição foi a ginasta estadunidense Simone Biles.

Após uma prova da competição por equipes, Biles decidiu não disputar as finais olímpicas em grupo e individual, informando que precisava cuidar da saúde mental. A decisão foi tomada junto a toda a equipe com o objetivo de manter a segurança da atleta e não prejudicar o desempenho do time. A participação da ginasta ao final nos jogos, nas traves, lhe rendeu a medalha de bronze.

Em suas redes sociais, Simone Biles explicou que estava sofrendo com “twisties”, perdendo a noção de espaço durante os saltos, o que pode ser muito perigoso. Ainda, ela foi enfática ao declarar que não precisava explicar o porquê de priorizar sua saúde. Atletas de vários países como o ex-nadador estadunidense Michael Phelps e ginasta jamaicana Danusia Francis manifestaram seu apoio à atleta, citando a atitude “corajosa”.

Simone Biles não está sozinha

A repercussão do caso Biles, entre os outros atletas e equipes, evidencia o quanto o cenário está mudando no mundo todo. Há alguns anos, o acompanhamento psicológico era entendido como técnica para ajudar o atleta a se concentrar nas provas. Nas últimas competições, muitos esportistas falam sobre a importância de cuidar da saúde mental e o quanto isso afeta o rendimento, o corpo e a saúde física.

O campeão Olímpico em Pequim, César Cielo, contou que foi convencido pela mãe a não desistir dos jogos em 2008 porque estava insatisfeito com seus treinamentos. “Na hora da competição, o medo é a projeção do nosso fracasso”, disse. O skatista brasileiro Kelvin Hoefler contou que, já em Tóquio, sentiu vontade de deixar a competição e voltar para casa, mas a esposa o convenceu a continuar e ele ganhou a medalha de prata na categoria street. Já Naomi Osaka, a tenista japonesa escolhida para acender a Pira Olímpica, já tinha saído de outras competições e até mesmo de entrevistas coletivas para proteger sua saúde mental.

Mas, por que há tantos casos de problemas com a saúde mental dentro do esporte? Atletas de alto rendimento lidam com treinos intensos e uma rotina extremamente rígida, além de toda a pressão de representar seu país em uma competição mundial. Gustavo Borges e Daiane dos Santos contaram sobre suas experiências com essa pressão nos Jogos Olímpicos que participaram no podcast “Isso é fantástico”.

Além de todas as dificuldades que já fazem parte da rotina, a pandemia foi o fator que agravou toda essa questão. Grande parte dos atletas passaram vários meses sem treinar por conta das restrições sanitárias, e se preparar para as olimpíadas em poucos meses é algo muito desafiador.

Esportes e saúde mental fora das competições

No ano de 2020, o debate sobre saúde mental tomou tamanha proporção em razão dos efeitos da pandemia e do isolamento social, que afetou mais metade dos brasileiros nos últimos meses. Apesar de os dados mostrarem um aumento na intensidade do sofrimento mental de pessoas já diagnosticadas e não necessariamente um crescimento do número de casos, sintomas como falta de concentração, insônia, perda ou excesso de apetite e desânimo podem ser sinais de transtornos mais sérios, e é recomendado procurar ajuda psicológica se isso se tornar um problema recorrente.

Fora do ambiente de competições, a prática regular de atividades físicas é uma grande aliada na manutenção da saúde. A Organização Mundial de Saúde recomenda, em um relatório publicado em 2020, que adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos por semana e crianças e adolescentes, 60 minutos diários.

Durante a pandemia de COVID-19, a prática de esportes individuais ao ar livre é uma alternativa para muitas pessoas que tiveram todas as suas atividades transferidas para o ambiente doméstico. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, ressaltou a importância dos exercícios em um comunicado, afirmando que “devemos todos nos mover todos os dias – com segurança e criatividade”.

Precisa de ajuda?

O sofrimento mental não deve ser motivo de vergonha e existem canais de apoio psicológico em que você pode procurar ajuda. O CVV – Centro de Valorização da Vida, por exemplo, é uma ONG que presta serviços gratuitos de apoio emocional por telefone, discando 188, e-mail e pelo site https://www.cvv.org.br/

Topo