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O ‘Dia da Liberdade’ e suas possíveis consequências para a saúde do Reino Unido

A reação da população e a preocupação das autoridades com o fim de todas as medidas sanitárias na Inglaterra.

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Primeiro Ministro britânico, Boris Johnson · Foto: Andrew Parsons

“Confusão” foi a palavra do dia 19 de julho. O chamado “Dia da Liberdade”, que marcou o fim de todas as medidas sanitárias na Inglaterra repercutiu em todo o mundo. A população formou filas imensas na noite de domingo para a abertura das casas noturnas sem nenhuma restrição sanitária à meia noite de segunda. O uso de máscaras é apenas recomendado em alguns locais, como o transporte público, e não há mais limite de pessoas em eventos ou a necessidade do distanciamento social, diferente dos outros países do Reino Unido, que estão tomando suas próprias medidas, de forma mais gradual para a abertura total. Esse retorno à normalidade estava previsto para o fim de junho, mas o aumento dos casos relacionados à variante Delta atrasou os planos em um mês.

A decisão de derrubar todas as medidas de uma única vez não agradou grande parte da comunidade médica, que teme um aumento no número de casos e até mesmo o surgimento de novas variantes. A flexibilização das restrições nos jogos da Eurocopa já havia causado essas discussões, mas agora, além de permitir o público total nos estádios, não há nem a necessidade de apresentar um teste negativo recente.

Tanto o Primeiro Ministro do Reino Unido, Boris Johnson, quanto o secretário de Saúde do governo, Sajid Javid, assumem que esse aumento de casos de Covid-19 acontecerá, mas que isso não vai causar um aumento nas internações, já que quase 70% da população adulta já está completamente vacinada. Por outro lado, o diretor médico da Inglaterra, professor Chris Whitty, afirmou que o número de internações no país está dobrando a cada três semanas e que pode atingir números assustadores.

Ponto de vacinação em Londres, no Reino Unido · Foto: Owen Blacker

O líder do Partido Trabalhista e líder da oposição, Sir Keir Starmer, acusa o governo de causar caos e confusão, e chama a medida de Johnson de imprudente. A abertura total acontece quando o país registra 50 mil casos diários, o maior número desde janeiro (quando chegou a mais de 68 mil). Segundo o Primeiro Ministro, este é o melhor momento para tentar retornar à normalidade e aprender a conviver com o vírus, pois o país tem a vantagem do verão e das férias escolares, que proporcionariam uma maior segurança quanto à Covid.

As críticas às medidas são, principalmente porque Johnson pede que a população tenha cautela, pois o país ainda enfrenta o vírus, ao mesmo tempo que desobriga o uso de máscaras e do distanciamento social, autoriza a abertura de casas noturnas, a volta do público total aos estádios e não limita quantidade de pessoas em reuniões. Dessa forma, ele passa uma responsabilidade que até então era do governo para a população, deixando um assunto de interesse coletivo refém das escolhas individuais dos cidadãos.

Na Holanda, o Primeiro Ministro Mark Rutte relaxou as medidas de segurança e, após o país registrar 10 mil casos de Covid em um único dia (20% do número visto na Inglaterra pouco antes da abertura), o maior número desde dezembro, veio a público pedir desculpas pelo que chamou de “erro de julgamento”.

Nos Estados Unidos, milhares de pessoas participaram da campanha de incentivo à vacinação postando vídeos em que retiravam as máscaras em locais públicos abertos. No entanto, o país agora sofre um aumento exponencial do número de casos, principalmente por conta da variante delta e da ainda baixa aceitação das vacinas por parte da população.

As vacinas não impedem a infecção pelo vírus nem a transmissão, ou seja, mesmo as pessoas que já estão completamente vacinadas podem contrair a doença e transmiti-la. Por isso, as medidas sanitárias são de extrema importância para reduzir essa circulação e evitar o surgimento de novas variantes mais transmissíveis, como é o caso da variante Delta, responsável pela maior parte dos casos na Europa, ou até mesmo, cepas mais resistentes às vacinas.

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